Olá, feliz 2009!
Para aqueles que não me conhecem, meu nome é Kelston e moro em Key West bem no sul da Flórida. Uma ilha caribenha que fica apenas a 145 kilometros de Cuba. Nasci em Porto Alegre e tive a oportunidade de morar em Minas Gerais, São Paulo, Rio, Bahia, Espanha, Itália e Estados Unidos. Passei longos periodos na Índia e na Tailândia.
Desde muito cedo aprendi a comer de tudo, e o mais importante: comer saudável. Devo isso devido a insistência dos meus pais. Nossa, quantas broncas levei porque tinha que comer o tal do brócolis (eu nunca diria na época que se tornaria um dos meus alimentos favoritos). Sempre tive uma grande paixão pela culinária, pois cresci assistindo meus pais, avós, tios e tias, enfim toda a família sempre preparando pratos maravilhosos. Sou de origem espanhola e italiana e sempre tive o privilégio de experimentar muitas receitas diferentes. Apesar dessa miscigenação, minha cozinha predileta é a do nosso Nordeste no Brasil. A abundância de sabores, aromas e cores são inigualáveis.
Minha primeira experiência profissional no campo da culinária foi na Itália onde trabalhei como ajudante de cozinha por 4 anos. Foi nessa época que eu sedimentei minhas raízes culinárias de forma que nem eu mesmo imaginava.
Até então, sempre comi de tudo. “Paquerei” muito de leve com o vegetarianismo em alguns momentos da minha vida, mas como eu andava pelo mundo com minha mochila nas costas, nunca havia parado para pensar mais a fundo o verdadeiro significado de ser vegetariano.
O periodo que passei na Índia foi a minha jornada mais próxima até então ao vegetarianismo, sem nenhum animal, embora ainda consumindo derivados. Por coincidência (ou não), logo após ter partido da Índia, fui ao Brasil visitar meu pai que na época estava lendo um livro sobre alimentação saudável (Eat For Life), e ele me presenteou com um exemplar. Foi a primira vez que brotou dentro de mim o desejo de me alimentar bem. O livro me despertou a noção que estava adormecida dentro de mim: que comida nada mais é do que combustível para o corpo, a mente e o espírito. É fundamental termos consciência sobre o que colocamos dentro do nosso corpo. Afinal de contas o nosso corpo é o nosso templo. Já que nós humanos veneramos tantos templos pelo mundo afora, porque não fazer o mesmo com o que é nosso?
Levei o livro comigo quando me mudei para a Califórnia e segui minhas aventuras pelo mundo da saúde. Aliás foi nesse livro que eu li pela primeira vez: “você é aquilo que come” (thy food thy remedy). Para minha sorte fui morar com minha irmã que já naquela época era vegetariana também.
E assim foi o começo dessa jornada.
Infelizmente, como a maioria das pessoas, por questões de desinformação, ou praticidade, estilo de vida, amigos e família (esses foram sempre grandes obstáculos), por questões sociais, culturais (veja bem, nascido no Rio Grande do Sul, onde a carne está presente em tudo), e por outras várias questões e obstáculos, acabei indo e vindo nas minhas dietas vegetarianas, e muitas vezes voltei a comer animais outra vez. Uma pena quando penso quanto tempo desperdiçei, mas na verdade não foi nenhum desperdício pois afinal é tudo parte da nossa evolução pessoal. Não estamos competindo contra ninguém, e nossa jornada é individual.
Foi aqui em Key West que uma força interior muito grande me levou a ser vegetariano outra vez. Por ironia do destino, isso me custou meu casamento, pois a forma saudável como passei a me alimentar tornou-se um problema segundo minha ex esposa. Fui chamado de excêntrico muitas vezes, principalmente quando íamos comer na casa de alguém. Mas (in)felizmente eu não estava mais disposto a voltar atrás. Na verdade a culpa não é dela, pois fui eu quem mudou. Talvez por falta de um diálogo mais aberto, quando nos demos conta já haviamos crescidos em caminhos opostos e entre várias outras razões o casamento terminou.
Também aqui em Key West, passei estudar o outro lado da moeda e me dei conta que o vegetarianismo não é apenas o que é bom para mim. Passei a entender também a realidade brutal que existe por detrás de cada pedaço de animal que comemos. A realidade é tão sórdida que terei que deixar esse assunto para outra hora. E mais um tema que pretendo abordar no futuro é o impacto no nosso planeta causado por dietas a base de animais. Tudo sempre a título de informação apenas.
É aquela velha história: cabe a cada um de nós decidir o que fazer com as informações recebidas.
Quanto mais aprendo e quanto mais experimento com as mais diversas receitas que crio, e/ou copio, mais me dou conta que o processo natural para mim é mesmo ser vegano. Por mim, pelos animais e pelo nosso planeta, não consumo nada que seja de origem animal. Aliás estou repondo minhas roupas também. Não jogo nada fora, lógico, mas cada vez que chega a hora de repor uma peça de roupa, eu não compro mais nada de origem animal.
Não estou aqui para dizer a ninguém o que comer ou o que não comer, vestir ou não vestir. Como falei antes, cada um de nós segue a sua jornada individual. O crescimento espiritual de cada um cabe a si próprio. Estamos todos nos mais diversos níveis de evolução. Quero apenas ter a oportunidade de repartir o bem, de fazer parte da luz, de poder contribuir para a melhoria geral da nossa qualidade de vida como um todo, e como habitante do planeta Terra, tomar conta da ‘Nossa Casa’. O nosso planeta não precisa de nós, mas nós precisamos dele e nós “temos que ser a mudança que queremos ver”.
Sempre passo muito tempo pesquisando e lendo muito sobre alimentação saudável, vegetarianismo, veganismo, crueldade contra outros seres do planeta, etc . Sou uma pessoa comum. Não sou nenhum doutor ou magistrado. Pelo contrário, me formei em hotelaria no Rio. O intúito desse blog é apenas repartir o que vou aprendendo, muitas vezes aos trancos e barrancos, pelos caminhos da vida.
E diante de tantas buscas, leituras e pesquisas tenho reparado que ultimamente, naturalmente e cada vez com mais frequência, me encontro brincando com a culinária crudívera. O que posso dizer a esse respeito, é que apesar do pouco tempo me alimentando quase que exclusivamente de alimentos crús meu corpo está regojizando de tal forma que tentarei por algum tempo apresentar sempre que possível receitas crudíveras aqui no blog. Vamos ver no que vai dar essa ‘brincadeira’.
Obrigado por ter lido essa matéria. Qualquer comentário ou crítica é sempre bem vindo.
Desejo muita paz e muita luz para todos. O segredo é o equilíbrio em tudo o que fazemos. Resta saber aonde mora o equilíbrio em cada um.
Siga o seu coração!
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